Museu Inimá de Paula

Aldir Mendes: geometrias do olhar

O Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, apresenta “Aldir Mendes: Geometrias do Olhar”, exposição que reúne cerca de 40 obras de Aldir Mendes de Souza (1941–2007). Com trabalhos realizados entre as décadas de 1960 e 2000, a mostra oferece uma visão abrangente da trajetória do artista e acompanha as transformações de uma produção marcada pelo estudo da cor, pela construção geométrica e pela interpretação da paisagem brasileira.

O percurso tem início com Metrópole do Futuro, de 1967, e acompanha momentos decisivos da produção de Aldir Mendes de Souza. Ao longo da mostra, paisagens agrícolas, cafezais, ambientes urbanos e referências à relação entre campo e cidade são progressivamente reorganizados pelo artista em linhas, planos, ritmos e campos cromáticos. A seleção permite compreender como elementos observados no mundo ao redor deram origem a uma linguagem visual própria, situada entre a figuração e a abstração.

A partir do final da década de 1960, o cafezal tornou-se motivo recorrente na obra de Aldir. Com o passar do tempo, essas referências deixam de funcionar apenas como representações do espaço rural e passam por um processo de síntese. Plantações, caminhos, terrenos e construções são convertidos em círculos, módulos, quadrículas e estruturas geométricas, sem perder completamente o vínculo com o território que lhes deu origem.

Em suas pinturas, a cor não atua apenas como preenchimento. A cor organiza a composição, estabelece tensões, define profundidades e cria diferentes percepções de luz e movimento. A repetição das formas, as variações de escala e os deslocamentos cromáticos conferem ritmo às superfícies e revelam o rigor construtivo de um artista que soube combinar precisão formal e liberdade inventiva.

Obras como Tecnologia Agrícola I, Cafezal II e Movimento da Cor nº 8 exemplificam a amplitude dessa investigação. Reunidas na exposição, ajudam a revelar a passagem de imagens ligadas à paisagem para composições cada vez mais sintéticas e geométricas, nas quais permanecem presentes a memória do campo, a transformação do território e a experiência visual da natureza.

Ao longo de sua trajetória, o artista construiu uma produção múltipla, que transitou pela pintura, pelo desenho, pela gravura, pela escultura, pela performance e pela imagem técnica. Médico cirurgião plástico formado pela Escola Paulista de Medicina, aproximou arte e ciência em experiências com radiografias e termografias, ampliando os limites de sua pesquisa visual.

O artista participou de importantes momentos da arte no Brasil, incluindo diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, e realizou exposições em instituições como o MASP, o Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Museu Nacional de Belas Artes, o MAC-USP, o Paço das Artes e a Pinacoteca de São Paulo. Suas obras também estão presentes em relevantes coleções privadas e públicas, como as dos museus acima referidos.

A exposição destaca a consistência de uma trajetória dedicada a investigar as possibilidades da pintura. Seu olhar transforma a paisagem em estrutura e faz da cor uma força capaz de ordenar, movimentar e reinventar o espaço pictórico.

Museu Inimá de Paula, Rua da Bahia, 1201, Centro, Belo Horizonte.

30 de setembro 2026 à 24 de Janeiro de 2027

Funcionamos com ENTRADA GRATUITA nos horários: terça, quarta, sexta e sábado, 10h às 18h30, quinta, 12h às 20h30, domingo e feriados, 10h às 16h30.

 

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