Onde uma imagem termina e a outra começa? Essa pergunta orienta Efeito de Borda, nova exposição do artista Gustavo Maia, apresentada pelo Ministério da Cultura, pelo Governo de Minas Gerais e pelo Museu Inimá de Paula. A mostra reúne 30 obras que investigam a pintura como uma zona de contato um território híbrido em que diferentes regimes de imagem se encontram, se contaminam e se transformam.
O título da exposição parte do conceito de “efeito de borda”, oriundo da biologia e da ecologia, que descreve as regiões de transição entre ecossistemas distintos. Mais do que limites, essas bordas são espaços ativos, de intensificação e instabilidade, onde novas dinâmicas emergem. Ao transpor essa ideia para o campo da arte, Gustavo Maia propõe pensar a pintura como um espaço de fricção entre linguagens, tempos e sistemas visuais.
A exposição nasce da observação da chamada “era da imagem”, marcada pela democratização dos meios de produção visual e pela circulação massiva de fotografias, vídeos, interfaces digitais e conteúdos gráficos. Diante desse cenário, o artista se coloca como um filtro: alguém que seleciona, reorganiza e reconfigura esse vasto repertório no tempo próprio da pintura, onde as imagens ganham espessura, corpo e permanência.
No processo de criação, ferramentas tradicionais da pintura convivem com computadores, câmeras, impressoras e procedimentos digitais, que atuam como agentes ativos na construção das obras. Falhas, glitches e bugs do universo tecnológico encontram as imperfeições do gesto pictórico, criando tensões entre controle e acaso, cálculo e desvio. É nesse encontro entre sistemas — com suas potências e vulnerabilidades — que a pintura se afirma como uma verdadeira zona de borda.
Entre referências que atravessam o científico, o cotidiano e a cultura digital, o trabalho tensiona o individual e o coletivo, aproximando universos distintos e produzindo novas possibilidades de sentido. Assim, Efeito de Borda convida o público a desacelerar o olhar e atravessar esse campo de transições, onde a pintura se reinventa como espaço de encontro entre imagens.
A exposição abre ao público no dia 16 de abril e permanece em cartaz até 31 de maio, no Museu Inimá de Paula, com entrada gratuita.
Visitação
Terça, quarta, sexta e sábado: 10h às 18h30
Quinta: 12h às 20h30
Domingos e feriados: 10h às 16h30




